sábado, 22 de julho de 2017

Pregue a si mesmo

Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu. (Salmo 42.11)

Nós precisamos aprender a combater o desânimo. O combate é uma luta de fé na graça futura. O desânimo é combatido ao pregarmos a verdade a nós mesmos sobre Deus e seu futuro prometido.
Isso é o que o salmista faz no Salmo 42. O salmista prega à sua alma aflita. Ele se repreende e discute consigo mesmo. E seu argumento principal é a graça futura: “Espere em Deus! Confie no que Deus será para você no futuro. Um dia de louvor está chegando. A presença do Senhor será todo o socorro que você precisa. E ele prometeu estar conosco para sempre”.
Martyn Lloyd-Jones acredita que esta questão de pregar a nós mesmos a verdade sobre a graça futura de Deus é importante para a superação da depressão espiritual.
Você já percebeu que uma grande parte da sua infelicidade na vida provém do fato de que você está ouvindo a si mesmo em vez de falar consigo mesmo? Considere aqueles pensamentos que lhe vêm à mente no momento em que acorda de manhã. Você não os originou, mas eles começam a falar com você, trazem de volta os problemas de ontem, etc. Alguém está falando… Você está falando consigo mesmo!
A batalha contra o desânimo é uma luta para crer nas promessas de Deus. E essa crença na graça futura de Deus vem por ouvir a Palavra. E, assim, a pregação para nós mesmos está no coração da batalha.
sexta-feira, 21 de julho de 2017

Evangelização — A missão máxima da Igreja


“Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16.15).

A igreja de Cristo não pode enclausurar-se dentro dos templos, mas deve cumprir a sua missão por toda parte, onde estão os pecadores.

Mateus 28.19,20; Marcos 16.15-18.

INTRODUÇÃO

Evangelização: É o esforço conjunto e contínuo da igreja para anunciar o evangelho de Cristo aos pecadores.

O progresso de uma igreja local não pode ser medido ou avaliado primeiramente por suas atividades filantrópicas, educacionais e materiais. O progresso real de uma igreja é avaliado por seu alcance evangelístico, juntamente com seus frutos espirituais, como resultado da semeadura da Palavra de Deus. Todas as demais atividades são importantes, mas a prioritária e incessante é a evangelização.

I. DEFINIÇÃO DE TERMOS

Existem três palavras interligadas na proclamação das Boas-Novas que merecem a nossa atenção: evangelho, evangelismo e evangelização. Estas definem e explicam a missão máxima da igreja na terra.

1. Evangelho (Mc 16.15). Só entenderemos a importância da missão evangelizadora da igreja compreendendo o significado de evangelho. O que é evangelho? No sentido mais simples, o evangelho é definido como “boas-novas de salvação em Cristo”. Noutras palavras, “evangelho” é o conteúdo da revelação de Deus, em Jesus como Salvador e Senhor de todas as criaturas que o aceitam como seu Salvador pessoal. Evangelho, portanto, é o conjunto das doutrinas da fé cristã que deve ser anunciado a toda criatura.

2. Evangelização. Mateus 28.19,20 apresenta o imperativo evangelístico de Cristo à sua igreja, com quatro determinações verbais:
a) Ir. No sentido de mover-se ao encontro das pessoas, a fim de comunicar a mensagem salvífica do evangelho;
b) Fazer discípulos. Com o sentido de “estar com” as pessoas e torná-las seguidoras de Cristo;
c) Batizar. É o ato físico que confirma o novo discípulo pela sua confissão pública de que Jesus Cristo é o seu Salvador e Senhor;
d) Ensinar as doutrinas da Bíblia, com o objetivo de aperfeiçoar e preparar o discípulo para a sua jornada na vida cristã.

3. Evangelismo. Possui um caráter técnico, pois se propõe a ensinar o cristão a cumprir, de modo eficaz, a tarefa da evangelização. O evangelismo na igreja local implica uma ação organizada e ativada pelos membros, para desenvolver três ações necessárias à pessoa do evangelista: informação, persuasão e integração do novo convertido.

Evangelho, evangelização e evangelismo distinguem-se quanto à prática, mas possuem as mesmas formações linguísticas. Evangelização é o anúncio da mensagem. Evangelismo é a técnica de comunicação da mensagem.

II. A BASE DA EVANGELIZAÇÃO

O Pastor Guilhermo Cook, da Costa Rica, declarou num congresso de missões que a tarefa da evangelização está firmada em três bases distintas: a base cristológica, a ministerial e a sociológica.

1. A base cristológica. É evidente que a mensagem que pregamos aos pecadores só pode ser a mesma que Cristo pregou quando esteve na Terra. Jesus, ao iniciar o seu ministério terreno, o fez a partir da cidade de Nazaré, quando entrou numa sinagoga e levantou-se para ler a Escritura. Foi-lhe dado o livro do profeta Isaías e, ao abri-lo, leu e explicou o texto de Isaías 61.1,2 (ver Lc 4.18,19). Nesta Escritura, Cristo se identificou com a missão para a qual viera (Jo 1.14), mas não restringiu a mensagem e a missão evangelizadora para si, pois outorgou-as a seus discípulos (Jo 20.21). Ora, o mesmo Espírito que ungiu a Jesus para proclamar as boas-novas habita na Igreja para que ela dê continuidade à proclamação da mensagem salvadora do evangelho de Cristo (Lc 24.49; At 1.8; Rm 1.16).

2. A base ministerial. No Antigo Testamento identificamos três ministérios distintos: o sacerdotal, o real e o profético.
a) O sacerdote representava o povo diante de Deus, orando e intercedendo por ele no exercício do ministério no Tabernáculo ou no Templo;
b) O rei representava a Deus perante o povo, e simbolizava o domínio do divino sobre o humano;
c) O profeta era o intermediário entre Deus e o povo, comunicando a mensagem de amor e de juízo.
Quando Jesus se fez homem, exerceu esse tríplice ministério. Como rei, nasceu da linhagem real de Davi (Lc 1.32; Rm 1.3). Como sacerdote, foi declarado sacerdote de acordo com a ordem de Melquisedeque, e não segundo a levítica (Hb 7.11-17,21-27). Como profeta, Cristo foi identificado pela mensagem que pregava (Lc 4.18,19). Porém, o Senhor Jesus transferiu para a igreja esse tríplice ministério. A igreja é vinculada à linhagem real de Jesus, porque somos o seu corpo glorioso na terra (Ap 1.6; 1 Co 12.27). O sacerdócio da igreja é identificado pela sua presença no mundo como intermediária entre Deus e os homens. Exercemos esse ministério, cumprindo as responsabilidades sacerdotais: interceder e reconciliar o mundo com Deus (2 Co 5.18,19; Hb 2.17). E, por último, a igreja, ao anunciar a Cristo como Senhor e Salvador, cumpre o seu papel profético (1 Pe 2.9; At 1.8).

3. A base sociológica. Em síntese, pessoas evangelizam pessoas, pois Jesus morreu pelos pecadores. É sociológica porque a igreja emprega os meios da comunicação pessoal para persuadir os indivíduos de que Jesus é o Salvador; e porque a mensagem não se restringe a um grupo, mas tem por objetivo alcançar todas as criaturas.

Os três pilares, que alicerçam a evangelização - cristológico, ministerial e sociológico - descrevem os fundamentos por meio dos quais as igrejas locais realizam a missão evangelizadora.

III. A EVANGELIZAÇÃO URBANA E A TRANSCULTURAL

1. Evangelização urbana. Sem prescindir da evangelização nos meios rurais, é um fato notório em nossos tempos que a vida urbana é uma realidade que desafia e exige da igreja uma pronta e veemente atitude para alcançá-la. Existe um fluxo migratório incontrolável de pessoas que deixam a vida rural e saem em busca de melhores oportunidades nas grandes cidades. Muitos problemas sociais resultam da desorganização da vida urbana, e a igreja deve estar preparada para responder a esses dilemas.
Estratégias adequadas devem ser desenvolvidas para alcançar as pessoas. Os problemas típicos da vida urbana, tais quais a diversidade cultural, a marginalização social, o materialismo, a invasão das seitas e as tendências sociais, desafiam a igreja no sentido de, sem afetar a essência da mensagem do evangelho, demonstrar o poder da Palavra de Deus que transforma e dá esperança a todos (Rm 1.16).

2. Evangelização transcultural. A evangelização transcultural começa na vida urbana com as diferentes culturas vividas pelos seus habitantes. Porém, ela avança quando requer dos missionários uma capacitação especial para alcançar as pessoas. É preciso que o missionário tenha uma visão nítida de que a mensagem do evangelho é global, pois o Cristianismo deve alcançar cada tribo, e língua, e povo, e nação até as extremidades da terra (Is 49.6; At 13.47).

A missão evangelizadora da igreja é local e global. Enquanto a evangelização local é intracultural (dentro da cultura do evangelista), a global é transcultural (fora da cultura do evangelista).

CONCLUSÃO

A mensagem do evangelho deve ir a todas as extremidades da Terra, porque a salvação que Cristo consumou no Calvário visa a toda a humanidade. A igreja não pode negligenciar sua missão principal: alcançar todos os povos com a mensagem do evangelho.

VOCABULÁRIO

Cristológico: Relativo a Cristo; fundamentado em Cristo.
Filantrópico: Relativo à filantropia; amor à humanidade; obras de caridade.
Imperativo: Que ordena, ou exprime uma ordem.
Migração: Mudar periodicamente, ou passar de uma região para outra.
Prescindir: Renunciar; abrir mão de; dispensar.

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

COLEMAN, R. Plano mestre de evangelismo pessoal. RJ: CPAD, 2001.

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO

Subsídio Devocional

“Renovando e Alcançando Pessoas
Precisamos começar perguntando mais uma vez: Qual a nossa missão como igreja? A resposta está em reconhecer que somos o corpo de Cristo. Portanto, devíamos estar fazendo o que Ele fez na terra. A evangelização do mundo, portanto, tem de ser a missão, o objetivo norteador da Igreja, pois era a meta central de nosso Senhor — a única razão pela qual o Filho eterno, despojando-se de suas vestes de glória, assumiu nossa forma. Ele veio para ‘buscar e salvar o que se havia perdido’ (Lc 19.10) — ‘não veio para ser servido, mas para servir; e para dar a sua vida em resgate de muitos’ (Mt 20.28).
Uma senhora, num grupo de turistas que visitava o Mosteiro de Westminster, pinçou exatamente o problema. Voltando-se para o guia, perguntou-lhe: ‘Moço, moço! Pare um pouco essa conversa, e me responda: será que alguém foi salvo aqui por esses dias?’.
Um estranho silêncio recaiu sobre o grupo de turistas assustados e, quem sabe, já embaraçados. Salvo no Mosteiro de Westminster? Por que não? Não é essa a função da igreja? Uma igreja que esteja descobrindo o entusiasmo do avivamento saberá disso, e estará em atividade, procurando ganhar os perdidos. O avivamento e a evangelização, embora diferentes quanto à natureza, brotam da mesma fonte e fluem juntos. Uma igreja que não sai para o mundo anunciando as verdades do reino não reconheceria o avivamento, mesmo que este viesse”.
(COLEMAN, R. Como avivar a sua igreja. 15.ed., RJ: CPAD, 2005, p. 87-88.)

APLICAÇÃO PESSOAL

A Igreja não foi edificada por Cristo para construir escolas, fundar hospitais ou assumir cargos políticos, por mais dignas que sejam tais realizações, mas para cumprir com o mandato de “ir por todo o mundo e pregar o evangelho a toda criatura” (Mc 16.15). Quando os crentes prescindem da evangelização, não resta mais nada a igreja do que ser uma associação religiosa em busca de privilégios e reconhecimento social. Somente um poderoso reavivamento na vida dos crentes será capaz de transformar uma igreja apática quanto à evangelização em uma comunidade rediviva. Cada crente deve envolver-se com a evangelização dos pecadores. Cada cristão deve ser uma fiel testemunha de Cristo.
Fonte: Lições Bíblicas, Elienai Cabral, CPAD.
quinta-feira, 20 de julho de 2017

INTRODUÇÃO

Nós, membros da Igreja de Jesus Cristo, procedentes de mais de 150 nações, participantes do Congresso Internacional de Evangelização Mundial, em Lausanne, louvamos a Deus por sua grande salvação, e regozijamo-nos com a comunhão que, por graça dele mesmo, podemos ter com ele e uns com os outros. Estamos profundamente tocados pelo que Deus vem fazendo em nossos dias, movidos ao arrependimento por nossos fracassos e desafiados pela tarefa inacabada da evangelização. Acreditamos que o evangelho são as boas novas de Deus para todo o mundo, e por sua graça, decidimo-nos a obedecer ao mandamento de Cristo de proclamá-lo a toda a humanidade e fazer discípulos de todas as nações. Desejamos, portanto, reafirmar a nossa fé e a nossa resolução, e tornar público o nosso pacto.

1. O Propósito de Deus

Afirmamos a nossa crença no único Deus eterno, Criador e Senhor do Mundo, Pai, Filho e Espírito Santo, que governa todas as coisas segundo o propósito da sua vontade. Ele tem chamado do mundo um povo para si, enviando-o novamente ao mundo como seus servos e testemunhas, para estender o seu reino, edificar o corpo de Cristo, e também para a glória do seu nome. Confessamos, envergonhados, que muitas vezes negamos o nosso chamado e falhamos em nossa missão, em razão de nos termos conformado ao mundo ou nos termos isolado demasiadamente. Contudo, regozijamo-nos com o fato de que, mesmo transportado em vasos de barro, o evangelho continua sendo um tesouro precioso. À tarefa de tornar esse tesouro conhecido, no poder do Espírito Santo, desejamos dedicar-nos novamente.

2. A Autoridade e o Poder da Bíblia

Afirmamos a inspiração divina, a veracidade e autoridade das Escrituras tanto do Velho como do Novo Testamento, em sua totalidade, como única Palavra de Deus escrita, sem erro em tudo o que ela afirma, e a única regra infalível de fé e prática. Também afirmamos o poder da Palavra de Deus para cumprir o seu propósito de salvação. A mensagem da Bíblia destina-se a toda a humanidade, pois a revelação de Deus em Cristo e na Escritura é imutável. Através dela o Espírito Santo fala ainda hoje. Ele ilumina as mentes do povo de Deus em toda cultura, de modo a perceberem a sua verdade, de maneira sempre nova, com os próprios olhos, e assim revela a toda a igreja uma porção cada vez maior da multiforme sabedoria de Deus.

3. A Unicidade e a Universalidade de Cristo

Afirmamos que há um só Salvador e um só evangelho, embora exista uma ampla variedade de maneiras de se realizar a obra de evangelização. Reconhecemos que todos os homens têm algum conhecimento de Deus através da revelação geral de Deus na natureza. Mas negamos que tal conhecimento possa salvar, pois os homens, por sua injustiça, suprimem a verdade. Também rejeitamos, como depreciativo de Cristo e do evangelho, todo e qualquer tipo de sincretismo ou de diálogo cujo pressuposto seja o de que Cristo fala igualmente através de todas as religiões e ideologias. Jesus Cristo, sendo ele próprio o único Deus-homem, que se ofereceu a si mesmo como único resgate pelos pecadores, é o único mediador entre Deus e os homens. Não existe nenhum outro nome pelo qual importa que sejamos salvos. Todos os homens estão perecendo por causa do pecado, mas Deus ama todos os homens, desejando que nenhum pereça, mas que todos se arrependam. Entretanto, os que rejeitam Cristo repudiam o gozo da salvação e condenam-se à separação eterna de Deus. Proclamar Jesus como “o Salvador do mundo” não é afirmar que todos os homens, automaticamente, ou ao final de tudo, serão salvos; e muito menos que todas as religiões ofereçam salvação em Cristo. Trata-se antes de proclamar o amor de Deus por um mundo de pecadores e convidar todos os homens a se entregarem a ele como Salvador e Senhor no sincero compromisso pessoal de arrependimento e fé. Jesus Cristo foi exaltado sobre todo e qualquer nome. Anelamos pelo dia em que todo joelho se dobrará diante dele e toda língua o confessará como Senhor.

4. A Natureza da Evangelização

Evangelizar é difundir as boas novas de que Jesus Cristo morreu por nossos pecados e ressuscitou segundo as Escrituras, e de que, como Senhor e Rei, ele agora oferece o perdão dos pecados e o dom libertador do Espírito a todos os que se arrependem e creem. A nossa presença cristã no mundo é indispensável à evangelização, e o mesmo se dá com aquele tipo de diálogo cujo propósito é ouvir com sensibilidade, a fim de compreender. Mas a evangelização propriamente dita é a proclamação do Cristo bíblico e histórico como Salvador e Senhor, com o intuito de persuadir as pessoas a vir a ele pessoalmente e, assim, se reconciliarem com Deus. Ao fazermos o convite do evangelho, não temos o direito de esconder o custo do discipulado. Jesus ainda convida todos os que queiram segui-lo e negarem-se a si mesmos, tomarem a cruz e identificarem-se com a sua nova comunidade. Os resultados da evangelização incluem a obediência a Cristo, o ingresso em sua igreja e um serviço responsável no mundo.

5. A Responsabilidade Social Cristã

Afirmamos que Deus é o Criador e o Juiz de todos os homens. Portanto, devemos partilhar o seu interesse pela justiça e pela conciliação em toda a sociedade humana, e pela libertação dos homens de todo tipo de opressão. Porque a humanidade foi feita à imagem de Deus, toda pessoa, sem distinção de raça, religião, cor, cultura, classe social, sexo ou idade possui uma dignidade intrínseca em razão da qual deve ser respeitada e servida, e não explorada. Aqui também nos arrependemos de nossa negligência e de termos algumas vezes considerado a evangelização e a atividade social mutuamente exclusivas. Embora a reconciliação com o homem não seja reconciliação com Deus, nem a ação social evangelização, nem a libertação política salvação, afirmamos que a evangelização e o envolvimento sócio-político são ambos parte do nosso dever cristão. Pois ambos são necessárias expressões de nossas doutrinas acerca de Deus e do homem, de nosso amor por nosso próximo e de nossa obediência a Jesus Cristo. A mensagem da salvação implica também uma mensagem de juízo sobre toda forma de alienação, de opressão e de discriminação, e não devemos ter medo de denunciar o mal e a injustiça onde quer que existam. Quando as pessoas recebem Cristo, nascem de novo em seu reino e devem procurar não só evidenciar mas também divulgar a retidão do reino em meio a um mundo injusto. A salvação que alegamos possuir deve estar nos transformando na totalidade de nossas responsabilidades pessoais e sociais. A fé sem obras é morta.

6. A Igreja e a Evangelização

Afirmamos que Cristo envia o seu povo redimido ao mundo assim como o Pai o enviou, e que isso requer uma penetração de igual modo profunda e sacrificial. Precisamos deixar os nossos guetos eclesiásticos e penetrar na sociedade não-cristã. Na missão de serviço sacrificial da igreja a evangelização é primordial. A evangelização mundial requer que a igreja inteira leve o evangelho integral ao mundo todo. A igreja ocupa o ponto central do propósito divino para com o mundo, e é o agente que ele promoveu para difundir o evangelho. Mas uma igreja que pregue a Cruz deve, ela própria, ser marcada pela Cruz. Ela torna-se uma pedra de tropeço para a evangelização quando trai o evangelho ou quando lhe falta uma fé viva em Deus, um amor genuíno pelas pessoas, ou uma honestidade escrupulosa em todas as coisas, inclusive em promoção e finanças. A igreja é antes a comunidade do povo de Deus do que uma instituição, e não pode ser identificada com qualquer cultura em particular, nem com qualquer sistema social ou político, nem com ideologias humanas.

7. Cooperação na Evangelização

Afirmamos que é propósito de Deus haver na igreja uma unidade visível de pensamento quanto à verdade. A evangelização também nos convoca à unidade, porque o ser um só corpo reforça o nosso testemunho, assim como a nossa desunião enfraquece o nosso evangelho de reconciliação. Reconhecemos, entretanto, que a unidade organizacional pode tomar muitas formas e não ativa necessariamente a evangelização. Contudo, nós, que partilhamos a mesma fé bíblica, devemos estar intimamente unidos na comunhão uns com os outros, nas obras e no testemunho. Confessamos que o nosso testemunho, algumas vezes, tem sido manchado por pecaminoso individualismo e desnecessária duplicação de esforço. Empenhamo-nos por encontrar uma unidade mais profunda na verdade, na adoração, na santidade e na missão. Instamos para que se apresse o desenvolvimento de uma cooperação regional e funcional para maior amplitude da missão da igreja, para o planejamento estratégico, para o encorajamento mútuo, e para o compartilhamento de recursos e de experiências.

8. Esforço Conjugado de Igrejas na Evangelização

Regozijamo-nos com o alvorecer de uma nova era missionária. O papel dominante das missões ocidentais está desaparecendo rapidamente. Deus está levantando das igrejas mais jovens um grande e novo recurso para a evangelização mundial, demonstrando assim que a responsabilidade de evangelizar pertence a todo o corpo de Cristo. Todas as igrejas, portando, devem perguntar a Deus, e a si próprias, o que deveriam estar fazendo tanto para alcançar suas próprias áreas como para enviar missionários a outras partes do mundo. Deve ser permanente o processo de reavaliação da nossa responsabilidade e atuação missionária. Assim, haverá um crescente esforço conjugado pelas igrejas, o que revelará com maior clareza o caráter universal da igreja de Cristo. Também agradecemos a Deus pela existência de instituições que laboram na tradução da Bíblia, na educação teológica, no uso dos meios de comunicação de massa, na literatura cristã, na evangelização, em missões, no avivamento de igrejas e em outros campos especializados. Elas também devem empenhar-se em constante auto-exame que as levem a uma avaliação correta de sua efetividade como parte da missão da igreja.

9. Urgência da Tarefa Evangelística

Mais de dois bilhões e setecentos milhões de pessoas, ou seja, mais de dois terços da humanidade, ainda estão por serem evangelizadas. Causa-nos vergonha ver tanta gente esquecida; continua sendo uma reprimenda para nós e para toda a igreja. Existe agora, entretanto, em muitas partes do mundo, uma receptividade sem precedentes ao Senhor Jesus Cristo. Estamos convencidos de que esta é a ocasião para que as igrejas e as instituições para-eclesiásticas orem com seriedade pela salvação dos não-alcançados e se lancem em novos esforços para realizarem a evangelização mundial. A redução de missionários estrangeiros e de dinheiro num país evangelizado algumas vezes talvez seja necessária para facilitar o crescimento da igreja nacional em autonomia, e para liberar recursos para áreas ainda não evangelizadas. Deve haver um fluxo cada vez mais livre de missionários entre os seis continentes num espírito de abnegação e prontidão em servir. O alvo deve ser o de conseguir por todos os meios possíveis e no menor espaço de tempo, que toda pessoa tenha a oportunidade de ouvir, de compreender e de receber as boas novas. Não podemos esperar atingir esse alvo sem sacrifício. Todos nós estamos chocados com a pobreza de milhões de pessoas, e conturbados pelas injustiças que a provocam. Aqueles dentre nós que vivem em meio à opulência aceitam como obrigação sua desenvolver um estilo de vida simples a fim de contribuir mais generosamente tanto para aliviar os necessitados como para a evangelização deles.

10. Evangelização e Cultura

O desenvolvimento de estratégias para a evangelização mundial requer metodologia nova e criativa. Com a bênção de Deus, o resultado será o surgimento de igrejas profundamente enraizadas em Cristo e estreitamente relacionadas com a cultura local. A cultura deve sempre ser julgada e provada pelas Escrituras. Porque o homem é criatura de Deus, parte de sua cultura é rica em beleza e em bondade; porque ele experimentou a queda, toda a sua cultura está manchada pelo pecado, e parte dela é demoníaca. O evangelho não pressupõe a superioridade de uma cultura sobre a outra, mas avalia todas elas segundo o seu próprio critério de verdade e justiça, e insiste na aceitação de valores morais absolutos, em todas as culturas. As missões muitas vezes têm exportado, juntamente com o evangelho, uma cultura estranha, e as igrejas, por vezes, têm ficado submissas aos ditames de uma determinada cultura, em vez de às Escrituras. Os evangelistas de Cristo têm de, humildemente, procurar esvaziar-se de tudo, exceto de sua autenticidade pessoal, a fim de se tornarem servos dos outros, e as igrejas têm de procurar transformar e enriquecer a cultura; tudo para a glória de Deus.

11. Educação e Liderança

Confessamos que às vezes temos nos empenhado em conseguir o crescimento numérico da igreja em detrimento do espiritual, divorciando a evangelização da edificação dos crentes. Também reconhecemos que algumas de nossas missões têm sido muito remissas em treinar e incentivar líderes nacionais a assumirem suas justas responsabilidades. Contudo, apoiamos integralmente os princípios que regem a formação de uma igreja de fato nacional, e ardentemente desejamos que toda a igreja tenha líderes nacionais que manifestem um estilo cristão de liderança não em termos de domínio, mas de serviço. Reconhecemos que há uma grande necessidade de desenvolver a educação teológica, especialmente para líderes eclesiásticos. Em toda nação e em toda cultura deve haver um eficiente programa de treinamento para pastores e leigos em doutrina, em discipulado, em evangelização, em edificação e em serviço. Este treinamento não deve depender de uma metodologia estereotipada, mas deve se desenvolver a partir de iniciativas locais criativas, de acordo com os padrões bíblicos.

12. Conflito Espiritual

Cremos que estamos empenhados num permanente conflito espiritual com os principados e potestades do mal, que querem destruir a igreja e frustrar sua tarefa de evangelização mundial. Sabemos da necessidade de nos revestirmos da armadura de Deus e combater esta batalha com as armas espirituais da verdade e da oração. Pois percebemos a atividade no nosso inimigo, não somente nas falsas ideologias fora da igreja, mas também dentro dela em falsos evangelhos que torcem as Escrituras e colocam o homem no lugar de Deus. Precisamos tanto de vigilância como de discernimento para salvaguardar o evangelho bíblico. Reconhecemos que nós mesmos não somos imunes à aceitação do mundanismo em nossos atos e ações, ou seja, ao perigo de capitularmos ao secularismo. Por exemplo, embora tendo à nossa disposição pesquisas bem preparadas, valiosas, sobre o crescimento da igreja, tanto no sentido numérico como espiritual, às vezes não as temos utilizado. Por outro lado, por vezes tem acontecido que, na ânsia de conseguir resultados para o evangelho, temos comprometido a nossa mensagem, temos manipulado os nossos ouvintes com técnicas de pressão, e temos estado excessivamente preocupados com as estatísticas, e até mesmo utilizando-as de forma desonesta. Tudo isto é mundano. A igreja deve estar no mundo; o mundo não deve estar na igreja.

13. Liberdade e Perseguição

É dever de toda nação, dever que foi estabelecido por Deus, assegurar condições de paz, de justiça e de liberdade em que a igreja possa obedecer a Deus, servir a Cristo Senhor e pregar o evangelho sem quaisquer interferências. Portanto, oramos pelos líderes das nações e com eles instamos para que garantam a liberdade de pensamento e de consciência, e a liberdade de praticar e propagar a religião, de acordo com a vontade de Deus, e com o que vem expresso na Declaração Universal do Direitos Humanos. Também expressamos nossa profunda preocupação com todos os que têm sido injustamente encarcerados, especialmente com nossos irmãos que estão sofrendo por causa do seu testemunho do Senhor Jesus. Prometemos orar e trabalhar pela libertação deles. Ao mesmo tempo, recusamo-nos a ser intimidados por sua situação. Com a ajuda de Deus, nós também procuraremos nos opor a toda injustiça e permanecer fiéis ao evangelho, seja a que custo for. Nós não nos esquecemos de que Jesus nos preveniu de que a perseguição é inevitável.

14. O Poder do Espírito Santo

Cremos no poder do Espírito Santo. O pai enviou o seu Espírito para dar testemunho do seu Filho. Sem o testemunho dele o nosso seria em vão. Convicção de pecado, fé em Cristo, novo nascimento cristão, é tudo obra dele. De mais a mais, o Espírito Santo é um Espírito missionário, de maneira que a evangelização deve surgir espontaneamente numa igreja cheia do Espírito. A igreja que não é missionária contradiz a si mesma e debela o Espírito. A evangelização mundial só se tornará realidade quando o Espírito renovar a igreja na verdade, na sabedoria, na fé, na santidade, no amor e no poder. Portanto, instamos com todos os cristãos para que orem pedindo pela visita do soberano Espírito de Deus, a fim de que o seu fruto todo apareça em todo o seu povo, e que todos os seus dons enriqueçam o corpo de Cristo. Só então a igreja inteira se tornará um instrumento adequado em Suas mãos, para que toda a terra ouça a Sua voz.

15. O Retorno de Cristo

Cremos que Jesus Cristo voltará pessoal e visivelmente, em poder e glória, para consumar a salvação e o juízo. Esta promessa de sua vinda é um estímulo ainda maior à evangelização, pois lembramo-nos de que ele disse que o evangelho deve ser primeiramente pregado a todas as nações. Acreditamos que o período que vai desde a ascensão de Cristo até o seu retorno será preenchido com a missão do povo de Deus, que não pode parar esta obra antes do Fim. Também nos lembramos da sua advertência de que falsos cristos e falsos profetas apareceriam como precursores do Anticristo. Portanto, rejeitamos como sendo apenas um sonho da vaidade humana a ideia de que o homem possa algum dia construir uma utopia na terra. A nossa confiança cristã é a de que Deus aperfeiçoará o seu reino, e aguardamos ansiosamente esse dia, e o novo céu e a nova terra em que a justiça habitará e Deus reinará para sempre. Enquanto isso, rededicamo-nos ao serviço de Cristo e dos homens em alegre submissão à sua autoridade sobre a totalidade de nossas vidas.

CONCLUSÃO

Portanto, à luz desta nossa fé e resolução, firmamos um pacto solene com Deus, bem como uns com os outros, de orar, planejar e trabalhar juntos pela evangelização de todo o mundo. Instamos com outros para que se juntem a nós. Que Deus nos ajude por sua graça e para a sua glória a sermos fiéis a este Pacto! Amém. Aleluia!
[Lausanne, Suíça, 1974]

Graça para cada necessidade

Graça para cada necessidade

 Volta-te para mim e compadece-te de mim; concede a tua força ao teu servo. (Salmo 86.16)

A graça futura é a súplica constante dos salmistas em oração. Eles oram por ela constantemente para que atenda a todas as necessidades. Eles deixam para cada santo um modelo de dependência diária da graça futura para cada exigência.
  • Eles clamam por graça quando precisam de ajuda: “Ouve, SENHOR, e tem compaixão de mim; sê tu, SENHOR, o meu auxílio” (Salmo 30.10).
  • Quando estão fracos: “Volta-te para mim e compadece-te de mim; concede a tua força ao teu servo” (Salmo 86.16).
  • Quando necessitam de cura: “Tem compaixão de mim, SENHOR, porque eu me sinto debilitado; sara-me, SENHOR” (Salmo 6.2).
  • Quando são afligidos pelos inimigos: “Compadece-te de mim, SENHOR; vê a que sofrimentos me reduziram os que me odeiam” (Salmo 9.13).
  • Quando estão solitários: “Volta-te para mim e tem compaixão, porque estou sozinho e aflito” (Salmo 25.16).
  • Quando estão aflitos: “Compadece-te de mim, SENHOR, porque me sinto atribulado; de tristeza os meus olhos se consomem” (Salmo 31.9).
  • Quando pecaram: “compadece-te de mim, SENHOR; sara a minha alma, porque pequei contra ti” (Salmo 41.4).
  • Quando desejam que o nome de Deus seja exaltado entre as nações: “Seja Deus gracioso para conosco, e nos abençoe… para que se conheça na terra o teu caminho” (Salmos 67.1-2).
Sem dúvida, a oração é o grande elo de fé entre a alma do santo e a promessa da graça futura. Se Deus requer que o ministério seja sustentado pela oração, então o ministério deve ser sustentado pela fé na graça futura.

O tempo de Deus é perfeito

quarta-feira, 19 de julho de 2017

O tempo de Deus é perfeito

Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de acharmos graça para socorro em ocasião oportuna. (Hebreus 4.16, tradução literal pelo autor)


Todo o ministério está no futuro — um dado momento, ou um mês, ou um ano, ou uma década. Nós temos bastante tempo para nos preocupar com a nossa imperfeição. Quando isso acontece, devemos recorrer à oração.
A oração é a forma de fé que nos conecta hoje com a graça que nos tornará adequados para o ministério de amanhã. O tempo é tudo.
E se a graça chegar muito cedo ou vier tarde demais? A tradução tradicional de Hebreus 4.16 esconde de nós uma promessa muito preciosa a esse respeito. Precisamos de uma versão mais literal para vê-la.
O texto mais tradicional é o seguinte: “Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em tempo de necessidade”. O original grego por detrás da frase “graça para socorro em tempo de necessidade” poderia ser traduzido literalmente como “graça para socorro em ocasião oportuna”.
A questão é que a oração é o modo de encontrar a graça futura para um socorro oportuno. Essa graça sempre provém do “trono da graça”, pontualmente. O termo “trono da graça” significa que a graça futura vem do Rei do universo que estabelece os tempos segundo a sua própria autoridade (Atos 1.7).
Seu tempo é perfeito, mas raramente é o nosso: “Pois mil anos, aos teus olhos, são como o dia de ontem que se foi” (Salmo 90.4). Em nível global, ele estabelece os tempos para que as nações se elevem e caiam (Atos 17.26). E no nível pessoal, “nas tuas mãos, estão os meus dias” (Salmo 31.15).
Quando nos perguntamos sobre o tempo da graça futura, devemos pensar no “trono da graça”. Nada pode impedir o plano de Deus de enviar graça quando ela for melhor para nós. A graça futura é sempre oportuna.

Marcharão no último lugar, segundo os seus estandartes

terça-feira, 18 de julho de 2017
Marcharão no último lugar, segundo os seus estandartes. (Números 2.31)


O arraial de Dã vinha na retaguarda, quando os exércitos de Israel estavam em marcha. Os danitas ocupavam o último lugar. Entretanto, que importância tinha essa posição, visto que eles, assim como as tribos que ocupavam a dianteira, também eram parte autêntica das hostes de Israel? Eles seguiam a mesma abrasadora coluna de nuvem. Comiam do mesmo maná, bebiam da mesma rocha espiritual e peregrinavam em direção à mesma herança.
Ó meu coração, vem e anima-te, embora sejas o menor e o último; tens o privilégio de estar no exército e viver como aqueles que lideram o povo. No que diz respeito à honra e estima, alguém precisa estar na retaguarda. Alguém precisa realizar para Jesus, serviços de pouco valor e, por que não eu? Numa vila pobre, no campo, ou numa rua afastada entre pecadores degradados, eu trabalharei marchando no último lugar, segundo meu estandarte. Os danitas ocupavam um lugar bastante útil. Aqueles que caminhavam lentamente precisavam ser ajudados durante a marcha, e os bens perdidos tinham de ser recolhidos na peregrinação. Os espíritos ousados podem avançar apressada­ mente em direção a caminhos inexplorados, a fim de aprenderem novas verdades e ganharem outras almas para Jesus. No entanto, um espírito mais conservador pode estar envolvido em relembrar à igreja a sua antiga fé e em revigorar seus filhos desanimados. A retaguarda é uma posição de perigo. Existem inimigos tanto atrás de nós como adiante. Os ataques podem vir de qualquer direção. Lemos que Amaleque assaltou Israel e matou alguns da retaguarda. O crente maduro encontrará para as suas armas um precioso serviço em auxiliar a alma insegura, vacilante e frágil daqueles que, no que concerne à fé, conheci­ mento e alegria, se encontram na retaguarda. Não podemos deixá-los sem auxílio. Assim, deveria ser trabalho dos crentes preparados, carregar seus estandartes entre a retaguarda. Ó minha alma, esteja em alerta para ajudar cordialmente aqueles que estão na retaguarda.
segunda-feira, 17 de julho de 2017
momentos-finais-no-ministerio-de-policarpo
Em nossa série de “Momentos Finais no Ministério”, estamos celebrando pregadores e pastores anteriores a nós que permaneceram fiéis até o fim. O artigo desta semana é sobre o martírio de Policarpo, um pai da igreja primitiva que pastoreava uma igreja em Esmirna (atual Turquia). Essa lembrança da morte de Policarpo revela a sua dependência em Deus até o seu último suspiro, em 155 d.C.
Três dias antes da sua prisão, Policarpo caiu em um profundo transe. Ao recuperar a consciência, declarou ter recebido uma visão. Ele tinha visto seu travesseiro incendiar-se em volta de sua cabeça. Policarpo não tinha dúvidas quanto à visão. Voltando-se para os seus companheiros, disse: “Serei queimado vivo”.
Policarpo orou tão fervorosamente que uma hora se tornou duas, e vários dos soldados lamentaram sua participação na prisão de Policarpo.
Não muito tempo depois, as autoridades romanas capturaram dois escravos. Um deles cedeu sob a tortura e revelou a localização da fazenda onde Policarpo estava hospedado. Quando os soldados chegaram a cavalo para prendê-lo, Policarpo recusou-se a fugir. Em vez disso, ofereceu aos seus perseguidores hospitalidade e comida, pedindo apenas que lhe fosse concedida uma hora de oração. Quando concordaram, Policarpo orou tão fervorosamente que uma hora se tornou duas, e vários dos soldados lamentaram sua participação na prisão de Policarpo.
Eles, então, colocaram Policarpo em um jumento e o levaram à cidade. Ao chegarem, seus perseguidores o levaram à carruagem de um homem chamado Herodes, o capitão das tropas locais. Herodes tentou convencer Policarpo a salvar-se. “Ora, que mal há em dizer, ‘César é o Senhor’, e oferecer-lhe incenso?”. Quando Policarpo recusou a sugestão de renunciar a Cristo, o funcionário se tornou ameaçador e o forçou a sair da carruagem tão rudemente que feriu a sua perna.
Sem sequer virar-se, Policarpo andou rapidamente enquanto o escoltavam até o estádio, onde um barulho ensurdecedor surgia da multidão de espectadores. Quando entrou, seus companheiros cristãos ouviram uma voz do alto dizer: “Sê forte, Policarpo, e comporta-te como homem”. Ele foi levado perante o procônsul, que o incitou a negar a sua fé e a se curvar diante do imperador: “Jure pela fortuna de César! Arrependa-se e diga: ‘Abaixo os ateus!’”.
Voltando-se com um olhar triste para a multidão que pedia a sua morte, Policarpo gesticulou diante deles. “Abaixo os ateus”, disse com aspecto grave.
Então, o procônsul insistiu mais uma vez que ele negasse a Cristo. Policarpo declarou: “Há oitenta e seis anos eu tenho sido o seu servo, e ele nunca me faltou. Como blasfemarei contra o meu rei que me salvou?”.
“Não estamos acostumados a nos arrepender do que é bom para mudar para o que é mau”.
Novamente o procônsul exortou Policarpo a jurar por César. Desta vez Policarpo respondeu: “Como você finge não saber quem e o que sou, ouça-me declarar com ousadia: eu sou cristão. E se você quiser saber mais sobre o Cristianismo, ficarei feliz em marcar uma reunião”. 
Furioso, o procônsul disse: “Você não sabe que tenho animais selvagens à sua espera? Eu o entregarei a eles, a menos que você se arrependa”.
Policarpo respondeu: “Mande trazê-los, porque não estamos acostumados a nos arrepender do que é bom para mudar para o que é mau”.
Em seguida, o procônsul ameaçou queimá-lo vivo. Policarpo respondeu: “Você me ameaça com fogo que queima durante um momento e logo se apaga. Você não conhece o fogo vindouro do julgamento e castigo eterno reservado para os ímpios. Por que está se delongando? Faça o que lhe agradar”.
O fogo formava um círculo ao redor dele, mas o seu corpo não queimava.
O procônsul enviou seu arauto à arena para anunciar que Policarpo havia confessado ser um cristão. Nesse momento, a multidão reunida com fúria violenta pedia que Policarpo fosse queimado vivo. Rapidamente, eles fizeram uma fogueira, juntando lenha de oficinas e banheiros públicos. Policarpo tirou as suas roupas e tentou tirar os seus sapatos, embora sua idade avançada o tornasse difícil. Seus guardas se preparavam para prendê-lo à estaca, mas ele lhes disse calmamente: “Deixem-me como estou, pois aquele que me dá forças para suportar o fogo também me dará força para permanecer firme na fogueira, sem ser segurado por pregos”. Eles amarraram as suas mãos para trás. Policarpo ofereceu um salmo de louvor e gratidão a Deus. Seus perseguidores acenderam o fogo.
Segundo observadores, à medida que as chamas aumentavam, não consumiam Policarpo como era esperado. O fogo formava um círculo ao redor dele, mas o seu corpo não queimava. Como o fogo não teve o efeito pretendido sobre o corpo de Policarpo, um carrasco foi ordenado a esfaqueá-lo até a morte com uma espada. Seu sangue extinguiu as chamas.
Originalmente publicado em Bearing Witness: Stories of Martyrdom and Costly Discipleship [Testemunhando: Histórias de Martírios e Discipulado Custoso] (Eds. Charles E. Moore e Timothy Keiderling).
Mesmo em nossa cultura de igreja fácil, as histórias de perseguição — especialmente de perseguição física — nos advertem sobre permanecermos muito confortáveis. Porém, não temam! A Escritura promete que mesmo a perseguição não nos separará do amor de Cristo (Romanos 8.35-39). Como a morte de Policarpo nos lembra, o Espírito nos capacita a permanecermos firmes até o fim. Pastor, quando sobrecarregado pela tentação de esgotar-se, recorde das palavras de Policarpo: “Deixem-me como estou, pois aquele que me dá forças para suportar o fogo também me dará força para permanecer firme na fogueira”.